segunda-feira, 10 de março de 2008

A menina dança



Afinal, parece que a Primavera ainda não chegou.
Está um dia lindo, hã?
Dei-me conta de que não tinha publicado uma foto de Amarante. E se Amarante merece!
Entretanto, recebi uma remessa de fotografias que documentam a noite de sexta-feira da semana passada. Sair à noite e ter um fotógrafo por perto pode não ser uma coisa positiva, believe me. Ainda assim, é sempre bom ficar com registos dos bons momentos. :-)
Por não querer (e não poder) comprometer a imagem de terceiros, tenho de me limitar às minhas próprias tristes figuras.
E a menina dança...
Parece-me que ouço 'Bodyrockers' ao longe... Estão a cantar para mim, ai estão, estão...
«There's so many things i like about you,
I just don't know where to begin.
I like the way you, look at me with those beautiful eyes,
I like the way you act all surprised,
I like the way you sing along,
I like the way you always get it wrong,
I like the way you clap your hands,
I like the way you love to dance,
I like the way you put your hands up in the air,
I like the way you shake your hair,
I like the way you like to touch,
I like the way you stare so much,
but most of all...
Yeah...
most of all...
I like the way you move!»

terça-feira, 4 de março de 2008

Olha, chegou a Primavera!

Semana atribulada, a que passou.
Os dias de aplicação sub-cutânea dos tratamentos não foram propriamente pêra doce, mas a malta cá está para se rir do assunto. Apliquei-me tanto na primeira noite de injecções que fiz uma nódoa negra na barriga, que me acompanha até hoje. Foi dos nervos. A médica diz que é normal. Consegui 'auto-picar-me' durante cinco dias seguidos, para grande orgulho do meu marido, que nunca pensou que fosse capaz, dada a minha conhecida aversão a agulhas.
Depois fomos à médica, que nos deu boas notícias. Boas notícias e uma receita para aviar. Mais uma seringa e toma lá, pica-te amanhã a hora de almoço. Fónix!
Para desanuviar a cabecinha, o casal de treinantes foi para a borga na sexta à noite. Separados, bem entendido. Para descontrair, nada melhor do que rir até nos doerem os maxilares. E perceber que a vida é maravilhosa também (e muito) por causa dos amigos que se fazem pelo caminho.
Pelo meio, ainda estive dois, quase três, dias em Amarante, onde fui para assistir a um seminário. Oportunidade para aprender, e não foi pouco, e para rever os amigos. Comoveu-me a gentileza, a simpatia e o carinho com que me acolheram. Não me arrependi nem por um minuto de ter decidido fazer a viagem, ainda que tenha sido tudo planeado em cima da hora e tenha surgido de forma muito inesperada. Foi cansativo mas valeu 100% a pena. Pessoas assim não entram nas nossas vidas todos os dias e eu estou imensamente grata por tê-los conhecido.
Entretanto, e porque continuamos a ser uma família muito moderna, o meu marido está na Alemanha e lá em casa instalou-se o 'girl power'. I rule. Se aqui estivesse o a. dizia já que eu mando sempre, quer ele esteja quer não. Mas isso é só ele a falar...
Entretanto, chegou a Primavera. Chegou, chegou.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Começo hoje a dar na veia...

... Gonal-F, estimulante dos folículos por via intra-venosa... Diz que dá uma trip altamente... :-)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Saraiva's Law

Não é fácil, claro, mas superar a saudade dos que partem custa menos se nos esforçarmos por recordá-los sempre no seu melhor. Ou por aquilo que tinham de melhor.
Falávamos sobre isto no dia em que nos despedimos do amigo que nos deixou. Falávamos, eu, a a. e a r., sobre a necessidade de limpar as lágrimas e começar, definitivamente, a encarar a vida de forma mais positiva.
De vez em quando temos de parar um bocadinho e tomar uma resolução séria.
A minha resolução de fim-de-semana foi esta: pôr em prática, no dia-a-dia, todos os dias, um pouco, pelo menos um pouco, daquilo que víamos o Carlos fazer.
Sorrir, por exemplo. Mais, bolas, mais, por todos os motivos e mais algum. Porque vivemos, acima de tudo. Porque amamos. Porque somos amados. Porque não custa. Porque é a melhor forma de chegar ao coração de alguém.
Fazer saber àqueles de quem gostamos o que sentimos. Foi a r. que lembrou este pormenor. Que o Carlos lhe telefonava, muitas vezes, só para lhe dizer "gosto de ti". Porra, isto é lindo. E é fácil. Dizer. "Gosto de ti".
Abraçar. Outra coisa que o Carlos fazia. Abraçava-se a toda a gente. Abraçava as pessoas de quem gostava. Temos, e contra mim falo, este problema com o contacto físico. Eu estou a tentar emendar-me. Não estou, naturalmente, a falar de abraçar o meu marido. A ele abraço, claro. Estou a falar de abraçar os amigos, só porque sim. E aos namorados, maridos, amantes ou o que for, mais ainda. Com força.
Contar anedotas e rir. O Carlos era um exímio contador e nem todos temos esse talento. Deus sabe que eu não tenho. Foi o próprio Carlos quem mo disse, aliás, ainda outro dia, quando tentei fazê-lo rir com uma anedota. Frustrada a tentativa, perguntei-lhe "não tenho muito jeito, pois não?", ao que ele respondeu, com a voz rouca que tão bem o caracterizava, "não, querida", soltando de seguida a sonora gargalhada que lhe conhecíamos. Mesmo assim, tentemos. Contar. Ou então vamos pedir que nos contem. Para nos rirmos. Todos os dias.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Sempre


«Um homem com mais alguns anos que eu [sábio?], que considero extraordinariamente inteligente, culto e louco, disse-me outro dia, com a naturalidade com que dizemos 'bom dia', que vê em mim "algo de mulher africana".
Se a afirmação, por si só, me desarmou, a explicação que se lhe sucedeu, essa, fez-me corar até à raiz dos cabelos.
Lá está porque é que vermo-nos retratados nas palavras dos outros nos permite sempre aprender alguma coisa sobre nós mesmos.»
Isto que escrevi há uns dias e publiquei aqui dizia respeito a um homem que nos deixou hoje, repentinamente, e nos fez sentir como se tivéssemos levado um murro no estômago. Disse-mo no dia em que nos tiraram esta fotografia. Foi uma muitas coisas que me disse e que nunca mais vou esquecer. Já tenho saudades.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Fim de quê?

A partir do momento em que se começam a ter responsabilidades, digamos, domésticas, os fins-de-semana adquirem todo um novo significado.
Eu até me esforço por me organizar durante a semana, e lá vou conseguindo, mas há sábados - como o que passou - em que não consigo fugir de um carrinho cheio de compras de supermercado, de uma ida à lavandaria, de umas quantas máquinas de lavar roupa e loiça, mais de um "é só dar um jeito à casa". E de uma ida à depilação, para poder dizer ao meu marido que sou, de facto, o mais próximo de mulher perfeita que existia no mercado.
Depois de tudo isto, uma canseira, um grande bem haja à minha sogra pela carne estufadinha que me livrou de ter que fazer jantar.
A seguir desmaiei no sofá. Depois tranferi-me para a cama, onde dormi, vá, umas boas onze horinhas...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Family ties

A minha Avó (paterna) fez anos no dia 5, terça-feira de Carnaval.
Telefonei-lhe de manhã e recebeu-me muito entusiasmada.
A conversa começou mais ou menos assim:
«-Estou!?
- Sim, Vó, sou eu!
- Eu sei, estava aqui com um amigo, que me veio visitar, e assim que olhei para o telefone disse logo "ai, é a minha querida neta"».
[sou a única. neta, sexo feminino, sou a única]
A conversa continuou por aí adiante.
Mais tarde, relatava o telefonema ao meu marido, comentando o facto de a minha Avó, viúva há anos [o meu queridíssimo Avô, tenho saudades], receber em casa visitas de um "amigo" [ou, quem sabe, mais que um...] e ilustrei, com a intenção de fazer uma piada, dizendo "saiu-me cá uma flausina, a minha Avó".
O meu marido olhou para mim e tenho a certeza que pensou o que eu disse, logo a seguir: «quem sai aos seus... não é de Genebra...».

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

«Um dia bem começado...

... deve ser bem acabado».
Esta frase, fantástica, foi descoberta por uma amiga minha num conjunto de azulejos que existe ali no Jardim de Oeiras.
Mostrou-ma, em fotografia, e chegámos logo à conclusão que é uma excelente máxima.
E é também o pensamento para o dia de hoje, que espero termine tão bem como começou... :-)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Esperem lá...

... andaram tigres à solta na Azambuja?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Quem, eu?

Um homem com mais alguns anos que eu [sábio?], que considero extraordinariamente inteligente, culto e louco, disse-me outro dia, com a naturalidade com que dizemos 'bom dia', que vê em mim "algo de mulher africana".
Se a afirmação, por si só, me desarmou, a explicação que se lhe sucedeu, essa, fez-me corar até à raiz dos cabelos.
Lá está porque é que vermo-nos retratados nas palavras dos outros nos permite sempre aprender alguma coisa sobre nós mesmos.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

About life, in general

Estes últimos dias tenho andado de Smart.
Inicialmente reticente, converti-me.
De facto, o carro é muito castiço. E cabe mesmo em qualquer lado. E também lá cabem muitas coisas dentro. Se cabe a minha enorme auto-estima, imaginem...
O meu carro [isto de ser meu é relativo porque lá em casa os carros estão sempre todos à venda, logo...] foi submetido a uns tratamentos, tipo pastilhas de travão e assim.
Parece que amanhã volto a conduzir um crro de cinco lugares. Acho que vou ter saudades do Smart. Vou ter de me portar bem para que o meu marido me empreste um para andar de vez em quando.
*
Estou quase a terminar o livro que tenho andado a ler.
Acho que estou mesmo no último capítulo (não tenho a certeza porque não fui espreitar o final).
O livro tem para aí 350 páginas. É grande.
Eu, que sou fácil como tudo, passei 300 páginas a torcer pelo romance entre o Mario, 18 anos, e a sua tia Júlia, divorcida, 32 anos.
Finalmente, para aí na 300.ª página, consumaram o amor que os unia e casaram-se, com 500 peripécias à mistura, devido ao facto de ele ser menor (maioridade aos 21) e não ter autorização dos pais para casar (muito menos com a tia).
E acabou?
Não, não acabou.
No último capítulo, que comecei a ler ontem, a história já avançou uns anos.
Vai daí, Mario conta que o casamento com a tia Júlia, ao contrário do que tudo parecia indicar, correu muito melhor do que alguma vez poderiam supor.
Durou oito anos.
COMO?!?
300 páginas a torcer por um romance e é isso, oito anos?!?
Vai daí, lembrei-me de algo que a tia Júlia tinha, em tempos, dito ao Mario.
Que se ficassem juntos cinco anos já teria valido a pena.
Porque tinha a certeza que seria feliz durante cinco anos.
O que é mais do que a maioria das pessoas pode dizer.
[e foi assim que aprendi mais qualquer coisa sobre a vida]

Comprovado

Interessei-me pelo romance do Sarkozi e da Bruni. É quase impossível passar ao lado da questão, diga-se.
Hoje, 'Sábado' e 'Visão' dedicam reportagens ao assunto.
Eu, que só vejo o meu umbigo, interessei-me particularmente pelo facto de a Carla Bruni ter nascido no mesmo dia que eu. Uns anos antes, é certo. O que é indiferente. Conhecida a minha obsessão com o dia do meu aniversário, o meu interesse pela Carla Bruni aumento muito ao saber que faz anos a 23 de Dezembro.
Ainda mais, quando percebi que se assumia como uma manipuladora, uma sedutora e totalmente descomplexada em relação aos seus relacionamentos com os homens. Parece que acha a monogamia uma seca. Uma maluca, é o que é.
E assim se confirma que por baixo da aparência hiper-racional de uma capricorniana se pode esconder a melhor das... cabras.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Mesmo

Gosto do disco do James Blunt, de uma forma geral. Soa bem, as letras bem escritas, é calminho.
Mas há uma música, em particular, que mucho me encanta .
Chama-se 'I really want you' e não me canso de a ouvir.

«I really want you to really want me but I really don't know if you can do that.
I know you want to know what's right but I know it's so hard for you to do that.
And time's running out as often it does and often dictates that you can't do that.
But fate can't break this feeling inside that's burning up through my veins.
I really want you.
I really want you.
I really want you - now.
No matter what I say or do, the message isn't getting through,
And you're listening to the sound of my breaking heart.»

Catita, hã?

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Hot just like your oven

Algo que ao longo dos últimos meses me tem deitado um bocadinho a baixo significa, desta vez, que amanhã começo a tomar os (assim o espero) mágicos comprimidinhos que estimulam a evolução.
Nem de propósito, enquanto escrevo isto, o Ben Harper está aqui a cantar-me ao ouvido uma musiquinha que dá pelo nome de "Sexual Healing"... Diz ele (traduzindo) que está "quente como o meu forno" [ahahahahah]. E mais. "Let's make love tonight, 'cause you do it right". Ah, pois é... :-)

Esplanadar?

As pessoas têm a mania de ver sempre o lado negativo das coisas.
Ontem, ao comentar com uma colega o dia lindo que estava, a dita respondeu-me "vamos pagar isto bem caro, no Verão".
Desculpa?...
Estou-me perfeitamente a borrifar para isso neste momento.
Está um dia lindo e isso é tudo o que me importa hoje. OK?...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Às vezes tenho dúvidas

O que será que sente um jornalista que, durante um directo de televisão, entrevista o cabecilha de uma manifestação que lhe diz que a criança que faleceu em Anadia à porta do hospital foi, e cito, "vítima da política do governo"?
O que é que impede o dito jornalista de cortar a palavra ao entrevista, de contra-argumentar, de o impedir de prosseguir aquele raciocínio colocando, no mínimo, uma pergunta, como "dispõe de elementos que possam justificar essa afirmação?".
A mim, aqueles segundos de televisão provocaram-me náuseas.
Revolveu-se-me o estômago e mudei de canal.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Não, obrigada

Gostava que me explicassem [na realidade não gostava, é só uma força de expressão]por que raio haveríamos de ter que dizer 'sim' ou 'não' à assinatura do tratado de Lisboa através de um referendo.
Já relativamente ao referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez tive dúvidas que, aliás, expressei aqui.
Mas neste caso tenho a certeza: fazer o referendo seria um erro.
Em primeiro lugar porque para alguma coisa elegemos os deputados que estão na Assembleia da República. Conferimos-lhes autoridade para decidir, em nosso nome, boa?... Ao votarmos, certo?...
Em segundo lugar porque toda a gente sabe que os portugueses votam cada vez menos nas eleições e quanto à participação nos referendos então sabe Deus... Ninguém lá ia pôr os pés! Ninguém ia votar!
Ninguém sabe o que diz o tratado de Lisboa e, pior, ninguém quer saber. E ninguém se ia dar ao trabalho de saber para votar no referendo.
Gastava-se dinheiro, perdia-se tempo e o referendo acabaria por não ser vinculativo.
É por isto que dispenso bem o referendo. Este e outros.
Experimentassem referendar a lei do tabaco, para verem...
Já que falo nisso, e sem querer parecer obcecada, ouvi hoje da manhã [mas não quis acreditar]uma notícia que dava conta de que a DGS teria sugerido que os estabelecimentos para fumadores fossem inspeccionados pela ASAE de forma prioritária. Porra, começa a ser de mais.
Qual é a ideia?
Para além de serem poucos os cafés/restaurantes que permitem fumar, querem o quê? Que o ar esteja tão limpo nos locais para fumadores como naqueles onde não se fuma?
Quer dizer, calminha!
Falta pouco para instalarem na cabeça de cada fumador um exaustor portátil.
O meu marido lembrou-se outro dia, a propósito da lei, de uma coisa que nos aconteceu em Barcelona.
Estávamos na fila para a bilheteira do Museu Picasso (na rua) e atrás de nós estava uma típica família americana. Como a coisa estava demorada, cada um de nós acendeu um cigarro.
Os americanos quase nos fulminaram com os olhos! Começaram a resmungar lá entre eles, reacção que provocou, em mim e no meu marido, uma claríssima postura de desafio e de gozo.
Assim que a fila começou a mover-se, reservaram para aí dois metros de distância relativamente a nós.
Não fosse dar-se o caso de inalarem algum fumo tóxico... Americanos, essa raça...

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Um regalo


É certo que me obriguei a ler o Código de Procedimento Administrativo e o regulamento orgânico da Câmara durante as férias.
É certo que me esfalfei em limpezas e arrumações.
É certo que me submeti à minha primeira ecografia endovaginal [é uma coisa muito simples mas o nome assusta, eu sei].
Mas em compensação aproveitei as noites para, entre outras coisas, me regalar com o Gabriel e com o Mario.
Em relação ao Gabriel: dizer que se gosta dele tornou-se praticamente um lugar comum. Eu gosto porque gosto e não por ter ouvido dizer que é bom. 'Memórias das minhas putas tristes' foi o quarto livro que li dele. Comecei-o ao final da tarde de um dia e acabei-o no dia seguinte.
Em relação ao Mario: com este a minha relação é mais intensa, mais passional. No espaço de um ano, já vou no terceiro dele. Gosto do Gabriel, mas o Mario tem qualquer coisa que me queima. O do momento é 'A Tia Júlia e o Escrevedor'. Estou a lê-lo com a urgência e com o desejo que caracterizam as paixões assolapadas.
'Breath taking'.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Várias coisas

Hora de jantar, televisão ligada, estamos a ver o telejornal. Um intervalo para publicidade e eis que... "a diarreia aparece sempre nas piores alturas".
Não, desculpem, este anúncio é que aparece sempre nas piores alturas. A hora de jantar, por exemplo, é uma péssima altura. Eu, que visualizo tudo, incomodo-me com o facto de ouvir repetida uma dúzia de vezes a palavra 'diarreia' no espaço de 30 segundos, enquanto estou sentada à mesa a jantar. Será porque sou muito esquisitinha?...
Pior, e pior era difícil, começou a acontecer esta semana. No mesmo intervalo do mesmo telejornal. Mas muito mais explícito. Uma gota de sangue que cai dentro dum lavatório. E a seguir um dente. Por favor, poupem-me. Chega a ser obsceno de tão... blharc!
Queria deixar aqui o pedido aos senhores da televisão no sentido de, pelo menos à hora das refeições, não permitirem a emissão de anúncios que explicitamente se refiram - ou exibam imagens - de dejectos ou sangue. Obrigada.
*
Agora para algo completamente diferente.
O sol. Deu o ar de sua graça hoje. Maravilha. Estava a começar a convencer-me que estava de férias em Londres.
*
Só mais uma coisinha.
Aqui há tempos fui fazer uma entrevista a um senhor que me disse, com o maior descaramento, que, mesmo não conhecendo o meu trabalho, estava perfeitamente convencido de que não ia gostar do que eu escrevesse sobre ele. Porque, de uma forma geral, detestava ver-se retratado nas palavras de outros. Respondi-lhe que se tratava de um problema de personalidade que devia tentar resolver e segui a minha vida.
Ontem recebi um e-mail do dito senhor. Que tinha acabado de ler a entrevista e que era obrigado a confessar-se 'agradavelmente surpreendido'. Agradecia, elogiava e dava-me os parabéns.
Pronto.
É por estas e por outras.
Que vale a pena.
E assim se confirma, também, uma das minhas teorias.
A de que não há homens implacáveis.
O que há são mulheres incompetentes.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Férias para...

... above all, para descansar.
Meaning, dormir.
Estou a testar os meus próprios limites, confirmando que é possível, ao longo de uma semana consecutiva, dormir uma média de dez horas por noite.
Não que eu (ou o meu marido ou os meus pais, todos profundos conhecedores da minha capacidade de dormir horas seguidas, sem acordar nem para ir à casa-de-banho), tivesse grandes dúvidas a este respeito, mas, enfim, é sempre bom obter uma confirmação científica.
Férias também para operar radicais arrumações/limpezas em determinados sectores do meu lar, a saber, o meu próprio guarda-vestidos (guardava vestidos e muitas outras coisas absolutamente inúteis, devo frisar), a cozinha, incluindo armários e esse inexplorado universo chamado 'marquise' e, last but not least, os armários da casa-de-banho.
Devo dizer que a tarefa está praticamente concluída (bastaram dois dias e meio...) e que na ressaca posso tirar diversas conclusões, úteis, quem sabe, para o futuro, nomeadamente:
a) é possível acumular, ao longo de apenas dois anos e meio de casamento, uma absurda quantidade de, vamos lá, objectos inúteis;
b) tenho gasto demasiado dinheiro a comprar objectos, vamos lá, inúteis;
c) ninguém, nem mesmo eu, necessita de possuir uma obscena quantidade de malas, sobretudo se, como é o caso, utilizar, no dia-a-dia, invariavelmente, duas: uma castanha; uma preta;
d) não vou precisar de adquirir, nos meses, quem sabe anos, mais próximos, qualquer par de sapatos;
e) já no que respeita a botas, bem...;
f) existem determinados produtos alimentares que não devo mesmo voltar a adquirir porque cá em casa eles vão acabar por ficar fora de prazo. Aqui incluo puré de batata instantâneo e hamburgueres vegetarianos (?!);
g) descongelar um congelador é uma coisa que não deve ser feita com a frequência que indicam os manuais. A cozinha fica inundada, é chato, dá trabalho e obriga a ter de o esvaziar para depois o voltar a encher. Uma vez por ano é mais que suficiente;
h) finalmente, ponderar, muito mas muito bem mesmo, qualquer compra feita com base nos argumentos 'ai que barato' / 'ai que giro'. 'Giro' is not good enough. 'Barato' acaba por ir parar ao caixote do lixo. De ora em diante não me contentarei por nada menos de 'breath taking'. E vou aplicar esta regra a todos as áreas da minha vida.
Conclusões à parte, estas arrumações têm sido muito terapêuticas, estou bastante arejadinha e quase pronta para enfrentar a legislação autárquica que prometi a mim mesma estudar durante as férias. É que vem aí concurso para a função pública e a malta quer entrar!
Por outro lado, depois de amanhã temos a nossa primeira consulta de infertilidade, pela qual estou ansiosa. Enquanto o dia não chega, estou a pensar pesquisar na internet sobre os apoios que o Estado concede a casais que necessitam de tratamentos para a infertilidade. Os seguros de saúde não cobrem, essa já eu sei. E nos hospitais públicos de Lisboa a lista de espera para a primeira consulta é de um singelo ano. Doze mesinhos. Só.
Entretanto amanhã vou à Fnac, porque férias sem engolir um ou dois livrinhos não são férias. E diz que a Fnac é no shopping. E diz que no shopping há saldos. 'Breath taking'...

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Perfeito, perfeito...

Uma de que o meu ipod me ensinou a gostar.
E que é perfeita para o dia de hoje.

«A noite vem às vezes tão perdida
E quase nada parece bater certo
Há qualquer coisa em nós inquieta e ferida
E tudo o que era fundo fica perto

Nem sempre o chão da alma é seguro
Nem sempre o tempo cura qualquer dor
E o sabor a fim do mar que vem do escuro
É tantas vezes o que resta do calor

Se eu fosse a tua pele
Se tu fosses o meu caminho
Se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho

Trocamos as palavras mais escondidas
Que só a noite arranca sem doer
Seremos cúmplices o resto da vida
Ou talvez só até amanhecer
Fica tão fácil entregar a alma
A quem nos traga um sopro do deserto
Olhar onde a distância nunca acalma
Esperando o que vier de peito aberto

Se eu fosse a tua pele
Se tu fosses o meu caminho
Se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho»

Mafalda Veiga, Cúmplices

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Aqui pode-se


Esforcei-me por manter a calma, mas esta história da lei do tabaco agora começa mesmo a enervar-me.
As notícias que davam conta do facto de o presidente da ASAE ter sido fotografado a fumar uma cigarrilha na noite de ano novo, já depois da meia-noite, revelam jornalismo de alto nível, hã?... sim senhor...
Até porque toda a gente sabe, ou devia saber, que dentro do Casino não vigoram as leis da República, mas sim 'Ho's laws'. Aquilo é um território à parte. Uma espécie de região autónoma.
Tenho para mim que há por aí um grande número de pessoas a retirar um prazer muito especial desta perseguição aos fumadores. Que tal se experimentassem trocar uns fluidos corporais com outra pessoa?... Ou com várias?... É todo um outro nível de prazer que, admito, desconhecem, mas altamente recomendável. Deviam experimentar.
O café onde habitualmente vou, de manhã, com um grupo de amigas, não permite fumar. Vai daí hoje, pela manhã, fomos à procura de um que permitisse. Acontece que não há. Apesar do frio, sentámo-nos numa esplanada. Tinham acabado os cafés de poisar em cima da mesa quando o céu começou a desabar em cima de nós. Águinha, iupi!... Duas das minhas amigas, que já tinham acendido o cigarro, apagaram-no à pressa e fugimos todas para dentro do café, onde 'no se puede'.
Mesmo com chuva, e com vento, havia pessoas à porta, debaixo do toldo, a fumar. Pareciam (parecemos) criminosos, a fazer algo de muito mau e proibido, às escondidas. Isto não está assim lá muito certo. Ficámos danadas, mesmo. Viemos fumar aqui à porta do edifício, sujeitas aos comentários jocosos dos colegas não fumadores.
Isto está mesmo a começar a enervar-me. E eu até já só fumo quatro cigarros por dia.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

:-)

Só para que conste, a Cristina Candeias já fez saber que 2008 vai ser um ano em grande para os signos de Terra e que sendo Capricórnio o rei dos signos de Terra, 2008 vai ser um ano estupendo para os capricornianos.
Posto isto, no segundo dia do ano já toda eu sou optimismo, toda eu sou pensamento positivo, toda eu sou sorrisos.
Eu e o a. fizémos um acordo, reduzimos drasticamente o número de cigarros fumados por dia, deixámos de fumar dentro de casa e estamos esperançados de que isso não o faça engordar muito, a ele, e me ajude, a mim, a engordar, vá lá, um quilo por mês, durante nove meses... :-)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Ai nano...


Sim, é verdade que vou resistindo aos gadgets. Sim, é verdade que desdenho, que me faço de cara, que digo que acho tudo supérfluo, uma futilidade.
Mas o meu marido troca-me as voltas e oferece-me um ipod, como presente de Natal.
E agora estou viciada, acho que é lindo e quero ir a correr comprar acessórios. Faço listas mentais de todas as músicas que quero descarregar lá para dentro.
Vá-se lá entender as mulheres...

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Toque Toque

A que me faz dar ao pézinho por estes dias...

«Eu preciso de sentir aquele toque feminino, imagino
Que me possas entender erradamente então declino
Qualquer intenção que não a de trocar uma impressão
Opinião, informação, e, quem sabe, emoção?
Hora e meia de concerto e ‘tou meio estourado
Preciso de um cigarro, sentar um bocado:
Fica do meu lado porque ‘tou interessado
Em quase tudo menos sexo sem significado, então
"Vem fazer de conta" e acredita em mim...
Podemos falar do Manel, ou das canções do Jobim
Hoje tou memo assim, com uma carência sem fim
E quero saber tudo de ti, tintim por tintim
Vou trocar de roupa dá-me só um minuto
Queres um bom vinho tinto ou um champanhe bruto?
Já caguei no duto, ‘tou seguro, resoluto
E a vida deve ser levada com olhar de puto

Fácil fácil brincadeira de criança
Eu ‘tava preso e tu pagaste-me a fiança
O toque é certo, equilibra a balança
Lança lança lança a tua dança

Nós não temos que, mas podemos se
Dá-me tempo para que te mostre quem sou
O toque acusou fez-se música e cantou
Para te mostrar que sou

Perigosamente perto, absolutamente certo
O teu sorriso brilha e deixa-me liberto
Pega na minha mão, vou-te tirar a pressão,
Nunca durmo na primeira noite, haja ou não tesão
Por isso baza à minha casa, só para um pouco de,
Nós não temos que, mas podemos se...
Pausamos na descontra com som ou tv
Eu tenho fox na cabo stand up em dvd
Quê quê quê, sorriso duvidoso?
Não tenho habilidade para coro manhoso
Só covinha na bochecha e olhar curioso
Charme de trapalhão, tu és doce eu sou guloso
Eu dou-te tick-tick, tu dás-me tock tock
Embala slick rick e leva-me a reboque
Eu não sou playboy, rude boy, bad boy,
Pura e simplesmente posso vir a ser o teu boy

Fácil fácil brincadeira de criança
Eu ‘tava preso e tu pagaste-me a fiança
O toque é certo, equilibra a balança
Lança lança lança a tua dança

Nós não temos que, mas podemos se
Dá-me tempo para que te mostre quem sou
O toque acusou fez-se música e cantou
Para te mostrar que sou

Temos empatia, quem sabe se um dia
A nossa simetria não acaba em sinfonia
Falo com o Massena nos temos boa cena
Dedico-te um poema vamos ganhar um ema
Longe de perfeito digamos que tenho jeito
Para director de casting e o teu timing é perfeito
Dás-me o toque-de-caixa e eu fico em sentido
A tua voz encaixa directo no ouvido
É poesia em movimento no terceiro andamento
Dum concerto em Sol maior, para tocar em casamento

Fácil fácil brincadeira de criança
Eu ‘tava preso e tu pagaste-me a fiança
O toque é certo, equilibra a balança
Lança lança lança a tua dança

Nós não temos que, mas podemos se
Dá-me tempo para que te mostre quem sou
O toque acusou fez-se música e cantou
Para te mostrar que sou»

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Quase, quase...

... a fazer anos.
E entretanto é Natal.
E no dia 26, se Deus quiser, cá estarei retemperada, cheia de genica para trabalhar!
:-)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

31, daqui a nada...

Independentemente do cinzento do céu. Independentemente da chuva e do vento. Independentemente do frio. Independentemente do stress. Independentemente dos prazos a cumprir. Independentemente de o mundo não ser perfeito. Independentemente. Este ano que está quase, quase a chegar ao fim foi [está a ser] importante até dizer chega.
Por tudo o que aprendi, pelo que me permitiu crescer, pelas pessoas que fiquei a conhecer melhor, pelas amizades que fiz, pelas desilusões, pela esperança sempre renovada, pela convicção de que é preciso acreditar que há sempre mais e melhor, um passinho mais adiante.
É Natal outra vez, caraças, e eu não podia mesmo pedir mais do que aquilo que já tenho e que é provável, Deus me ajude, que seja mais do que mereço.
E daqui a uns dias [três, na realidade] já tenho 31 aninhos.
Eh pá, brutaaaaal! :-)

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

'Mala suerte'

Dado que estamos quase no Natal, alegra-me que os telejornais incluam boas notícias. Notícias boas.
Do noticiário de anteontem, a do aumento do salário mínimo foi, sem dúvida, a melhor.
Mas nem de longe nem de perto tão divertida quanto a que dava conta da chegada, à ilha da Culatra, de um barquinho carregado de imigrantes ilegais oriundos de Marrocos.
Para além de um jornalista que se esforçava por falar um espanholês da melhor categoria, a reportagem in loco incluía depoimentos dos ditos marroquinos.
E aqui é que está a graça. Os coitados repetiram, até à exaustão, que não queriam vir para Portugal, mas sim desembarcar em Espanha.
O contrário é que seria estranho e ninguém compreenderia...
As próprias 'entidades oficiais' fizeram questão de explicar que tinha sido um acidente, que eles queriam mesmo era ir para Espanha.
Como se isso fizesse alguma diferença no que diz respeito à situação humanitária dos pobres homens...
"Espanha, Espanha, queríamos ir para Espanha".
Foi "mala suerte", diziam eles.
Um azar, vir parar a Portugal... Nem eles imaginam quanto...
Passados dois minutos de estarem em solo nacional terão, no entanto, percebido como é que as coisas aqui funcionam, porque um deles começou a desmentir dizendo "Portugal, queremos Portugal".
Se isto não é o país no seu melhor, eu não sei o que será... :-)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Olha, gostei.

Tenho esta dúvida. Terei sido a única a sentir-me imensamente orgulhosa do meu país e do nosso Governo antes, durante e sobretudo depois da cimeira UE/África?
Devo ter sido. Porque sou um bocado chanchas.
Mas a verdade é que senti. Tal como o Durão Barroso (isto de eu estar de acordo com o Durão Barroso é que é capaz de ser um bocadinho estranho...), acho que mau teria sido não promover a cimeira, mesmo tendo em conta todas as polémicas.
Gostei de ver Portugal a bater-se na diplomacia. Gostei de ver que não demos barraca (pelo menos nenhuma da qual me tenha apercebido). Até gostei de ver a Marginal cheia de polícia. Gostei da azáfama de batedores e de carros oficiais abrindo caminho por entre os demais. Gostei que tivessem servido robalo ao sal no banquete oficial do Palácio da Ajuda.
Não gosto do Mugabe, nem do Kadhafi [medo...], mas isso são outros 500...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Chamaste?...

Por mais um dia. Porque está sol. Porque a vida é mesmo fantástica. Pela família. Pelos amigos. Porque a música é linda. O momento do dia é este. Só mesmo porque. Sim.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Tudo doido

O casamento é uma coisa curiosa.
Não sei exactamente como vai soar isto, mas a verdade é que... me têm acontecido coisas incríveis, desde que casei.
Na realidade, o casamento mudou-me. Mudou, pelo menos, a minha forma de encarar o casamento. E as pessoas. Homens e mulheres. As relações. A amizade. O sexo, também.
Falava sobre isto outro dia ao almoço, com umas amigas.
Chegámos a uma conclusão: está tudo doido.
A aliança no dedo anelar da mão esquerda, pensava eu na minha ingenuidade, funciona como um repelente relativamente a abordagens por parte de elementos do sexo oposto (ou do mesmo...).
Nada mais errado.
Acredito, hoje, que funciona como um iman.
E as minhas amigas partilham desta minha convicção.
Se não, vejamos.
Vamos pôr-nos na pele de um homem casado que se sente atraído por uma mulher, que não a sua.
O facto de ela ser, como ele, casada, confere uma muito maior segurança. Uma mulher solteira terá, mais facilmente, ilusões, criará, mais facilmente, expectativas. Pode criar problemas, provocar situações embaraçosas, constrangimentos.
Uma mulher casada, em princípio, não.
A igualdade de circunstâncias em que ambos, casados, se encontram, aumenta o nível de risco, é certo, mas também os níveis de adrenalina e de excitação.
O facto de ambos terem tudo a perder faz com que ambos cultivem de igual modo a discrição.
Uma mulher casada dificilmente se deslumbrará com a atenção de um homem casado. Pelo menos não ao ponto de desejar que ele deixe a mulher, até porque isso a colocaria também numa situação difícil.
Isto é matemático.
A ideia de que os homens traem mais do que as mulheres está totalmente desactualizada.
Hoje, eu tenho praticamente a certeza disto, homens e mulheres relativizam, de igual modo, o conceito de fidelidade conjugal.
Está tudo doido, tal como eu dizia.
Dizer "eu sou casada" provoca tudo menos desinteresse.
Pelo contrário, aumenta o interesse.
Isto é muito estranho, mas é assim mesmo.
Estas e outras coisas tenho eu vindo a aprender, desde que me casei.
Universo complexo, o do matrimónio.
Está tudo doido. Mesmo.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Momentos inesquecíveis


Pois que repeti a experiência do ano passado no Encontro Nacional de Comunicação Autárquica e pois que foi espectacular.
Passámos, por causa disso, dois dias em Portimão (eu e a a.), onde mais de cem profissionais da área se reuniram para falar de coisas sérias mas, também, e isso é importante, passar um bom bocado.
Houve de tudo, apresentações muito interessantes (destaco a Cristina Amaro e o Carlos Coelho - o livro dele como prenda de Natal não era mal pensado...), boa comida, bom 'combíbio' e a experiência ultra-radical de jogar golfe pela primeiríssima vez.
Foi 'show de bola'... no caso, bolas, voando em todas as direcções, menos, é claro, o buraco onde, parece, é suposto enfiá-las. Bem giro!
Como foi uma coisa muito em torno do marketing, deixo aqui umas belas deixas, retiradas dos meus apontamentos...
Uma: 'it's not about if it fits you, it's about how it feels to you'
Duas: 'it's not how good you are, it's how good you want to be'
Três: 'o valor das coisas não está no tempo que duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis' (esta, parece-me, é de Pessoa e é, de facto, um mimo...).

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Uma(s) lágrima(s)

Já lá estava quando entrei para a faculdade. Esteve sempre, durante esses quatro anos. E durante todos os outros a seguir. Nos aniversários. Nos natais. Nas passagens de ano. Nas férias. Nos bons momentos. E nos maus.
Mordeu os meus namorados. Lambeu-me as mãos e a cara vezes sem conta. Fugiu-me. Desobedeceu-me. Rosnou-me. Fez-me rir. Fez-me chorar.
Deitou-se aos meus pés milhares de vezes. Abanava a cauda sempre que me via aparecer, sempre que falava com ele, sempre que sorria, e fez-me compreender que os cães também riem e também ficam tristes.
Por todas as alegrias, pela companhia que nos fez ao longo de 14 anos, pelas vezes em que se portou mal, pelas vezes em que demonstrou ser o cão mais inteligente de todos, por tudo, tudo, tudo, nunca, mas nunca, nos vamos esquecer que fez parte das nossas vidas.
O Tobias, coitadinho, adormeceu no sábado de manhã e sabemos que não vai voltar a acordar.
A saudade é imensa. É (foi) o melhor cão do Mundo. Estejas onde estiveres, Bias, só desejo que tenhas uma cama quentinha e frango assado. Frango assado todos os dias. Mereces isso e muito mais.
Faz falta. Vamos ter saudades sempre. Mas não o queria ver sofrer mais. 'Tadinho. Do meu (nosso) Tobias.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Mika - Relax, Take It Easy

Enquanto a minha chefe não percebe que eu sou só uma, e não três ou quatro, o melhor mesmo é relaxar... e ir de fim-de-semana a dar ao pezinho!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Sempre assim


Está a ser uma semana assim... ao melhor género montanha-russa.
Ontem, então, foi um dia embrulhadíssimo, com picos de êxtase e momentos de... huuummm... 'snif' [beicinho] sucedendo-se, atropelando-se uns aos outros.
Se nem eu me entendo muito bem às vezes, como pode alguém entender-me. Ou então pode. Ou então consegue. Ou então sabe, como eu sei. Que simplesmente não pode ser. Mas que vai sendo na mesma, enquanto se quiser assim tanto.
Whatever.
Não está a ser a melhor das semanas. Só porque está a ser assim... embrulhada.
E eis que hoja, ainda agora, o polícia que está ali na porta de entrada olha para mim como se me estivesse a ver pela primeira vez e me diz "está sempre com um ar tão bem disposto!".
Deve ser por causa desta cara, que eu gosto de usar em cima do pescoço, e deste sorriso que não gosta de desgrudar dela.
Lucky me.
:-)

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

É só um desabafo, OK?...

A sério que não faço por querer.
A sério que não faço mesmo.
É inevitável, acontece.
Recebi, há pouco, a confirmação da gravidez da mulher de um amigo.
Foi, como se imagina, dada a minha idade e a idade dos meus amigos, mais uma das muitas notícias de gravidezes que tenho tido ao longo dos últimos anos.
Particularmente ao longo do último ano e meio. Não posso estar a ser mais sincera quando digo que fico extraordinariamente feliz com a novidade. A sério que fico. Fico porque imagino a emoção e a felicidade dos pais, o momento em que tiveram a certeza, a primeira ecografia, a alegria das famílias… O coração transborda, mesmo, e a felicidade dos meus amigos põe-me um sorriso na cara.
É por isso que me custa a aceitar o aperto que inevitavelmente me enche o peito depois. O nó na garganta. E eu não faço por querer.
A sério.
Não é inveja, nem nada que se pareça.
É só uma dúvida. Porque é que eu não consigo? Porquê, meu Deus, porquê?....

Diz que é uma espécie de aumento

Fiz as contas e são, mais coisa menos coisa, 27,5€.
Mais oito cêntimos no subsídio de refeição.
Podia ser pior.
Mas na verdade, sendo igual à inflação, o aumento do ordenado não vai representar real aumento do poder de compra.
O meu marido pergunta-me «e mesmo assim não te arrependes?».
Sei a que se refere, mas não me apetece dar-lhe conversa… :-)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Big girls are beautiful

Macacos me mordam se esta não é a música mais fixe do momento… Quem resistir a cantá-la a plenos pulmões que atire a primeira pedra!
Eu não resisto. Nem me esforço.
A música é muito gira. Só depois de a ouvir duas ou três vezes é que me dei conta de que é uma ode às mulheres mais cheiinhas… Isto é brutal! Um hino às mulheres reais, com “curves in all the right places”! Big Girl (You Are Beautiful).

«Big girl you are beautiful

Walks in to the room
Feels like a big balloon
I said, 'Hey girls you are beautiful'
Diet coke and a pizza please
Diet coke I'm on my knees
Screaming 'Big girl you are beautiful'

You take your skinny girls
Feel like I'm gonna die
Cos a real woman
Needs a real man is why

You take your girl
And multiply her by four
Now a whole lotta woman
Needs a whole lot more

Get yourself to the Butterfly Lounge
Find yourself a big lady
Big boy come on around
And they'll be calling you baby

No need to fantasise
Since I was in my braces
A watering hole
With the girls around
And curves in all the right places

Big girls you are beautiful
Big girls you are beautiful
Big girls you are beautiful
Big girls you are beautiful»

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Um bom encontro é de dois

A Vanessa da Mata e o Ben Harper cantam, em conjunto, a música eleita para dar ao pezinho neste belíssimo fim de tarde de Outono.
Boa Sorte… [A minha parte favorita está a bold]

«É só isso
Não tem mais jeito
Acabou
Boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará

Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais

That's it
There is no way
It's over
Good luck
I have nothing left to say
It's only words
And what l feel
Won't change

(Refrão)

Tudo o que quer me dar
Everything you want to give me
É demais
It too much
É pesado
It's heavy
Não há paz
There is no peace
Tudo o que quer de mim
All you want from me
Irreais
Isn´t real
Expectativas
Expectations
Desleais

Mesmo que se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha
Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais

Now even if you hold yourself
I want you to get cured
From this person
Who advises you
There is a disconnection
See through this point of view
There are so many special people in the world
So many special people in the world... in the world
All you want all you want

(Repete refrão)

Now were falling (falling), falling (falling) into the night (into the night),
Falling (falling), falling (falling) into the night (um bom encontro é de dois),
Now were falling (falling), falling (falling) into the night (into the night),
Falling (falling), falling (falling) into the night»

Alterne

Em relação ao filme ‘Corrupção’, sim, eu fui ver, e não, eu não quero falar sobre isso.
O argumento é, digamos, mau, o desempenho de grande parte dos actores é, digamos, mau, a história é, digamos, incongruente e em certos detalhes o filme chega a ser surreal.
Veja-se a cena em que o cão [que é lindo e que assume o melhor desempenho do filme] ladra para o papagaio, que lhe responde, ladrando de volta.
Ou aquela em que ‘Sofia’, a alternadeira [a propósito, bar de alterne é um nome parvo, não sei se sabiam] serve o almoço ao Presidente à beira da piscina, ao som de música siciliana, sendo que o almoço consiste num prato de arroz com ovos estrelados [comida de pega?], que o Presidente se prepara para devorar como se não houvesse amanhã.
Só mais uma coisa. O bar de alterne do filme chama-se ‘À Noite’. O que até soa bem, se dissermos ‘vamos aí ‘À Noite’. Julgo, no entanto, que melhor seria se tivessem chamado ao bar ‘Às Putas’. Assim dir-se-ia simplesmente ‘vamos ‘Às Putas’ [como quem diz ‘vamos ali àquele bar de alterne].
Para a semana vou ver um filme para rir.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Fim-de-semana (em) grande

“Hoje não me apetecia nada…”. Deve ter sido a frase que mais vezes ouvi hoje. Aqui no estamine tivemos direito a quatro dias de fim-de-semana. De maneiras que hoje anda tudo com muito pouca vontade.
Quinta-feira foi dia de pão por Deus. Na quarta à noite comprei gomas e ‘smarties’ para dar aos miúdos, caso por lá aparecessem. O meu marido disse-me “só tu”, algo que eu interpretei como um elogio. Prometi-lhe que se não aparecessem crianças a pedir o pão por Deus lhe dava as guloseimas a ele.
Mas apareceram. Eram oito e meia da manhã. A sério. Recusei-me a levantar àquela hora. E eles voltaram, mais tarde. No caso, elas. Eram três meninas. Tocaram à campainha, fui à janela ver quem era e apareceu uma carinha laroca a dizer “podia dar-nos o pão por Deus, fáchavor?”.
Tinha separado as gomas e os ‘smarties’ em saquinhos. Dei-lhos e lá foram elas, felizes da vida. Eu também fiquei. Gosto destas tradições. E lembro-me tão bem de ir ao pão por Deus que acho graça ao facto de agora ser eu uma ‘senhora’ a quem os miúdos batem à porta.
Fónix, estou velha!
Sexta-feira rumámos à Beira Baixa. Levámos dois carros [contingências de uma família que vive do comércio de automóveis…], de modo que fiz a viagem sozinha no meu carrinho. Maravilha. Fiz a viagem com o rádio aos berros, a cantar e a dançar, a comer pastilhas e a fumar cigarros, sempre com os vidros abertos.
Cheguei ao Fundão com os ouvidos a zumbir e com os músculos das pernas a doer. Sobretudo os da perna esquerda, por força de ter feito a viagem toda a dar ao pezinho.
O meu marido, ‘tadinho, foi a conduzir uma carrinha que não tinha rádio e eu passei a viagem toda a meter-me com ele, a ultrapassá-lo e a buzinar.
Uma galhofa.
Passámos três dias na quinta, sendo que eu pouco mais fiz do que comer e beber. E que bem que se come e se bebe.
A casa que os meus sogros construíram está muito bonita. Já temos um refúgio no campo. Sabe bem, fugir para lá de vez em quando. As distracções são poucas, vive-se muito à base do convívio familiar, em redor da mesa sobretudo.
Saímos à noite, como fazemos sempre que lá estamos, e picámos o ponto no Alaúde, que é o bar onde toda a gente do Fundão, de todas as idades, vai beber um copo.
O tempo lá rende mais.
O Jorge Palma estava na Covilhã mas como fui a única a manifestar interesse em ir vê-lo, puseram-se com as desculpas de que ao fim-de-semana à noite não se pode sair do Fundão de carro porque a BT não perdoa, e acabámos por não ir. Snif.
Terminámos a noite no Alambique e foi quando saímos de lá que tomei consciência da razão pela qual teria muita dificuldade em adaptar-me à vida serrana: frio, muito frio, muito frio MESMO.
Só tive pena de não ir ao Lounge, na Moagem, que é agora o sítio da moda. A Moagem, a antiga moagem do Fundão, foi recuperada, o edifício está lindo e tem um bar no último piso todo modernaço, todo fashion.
Uma cidade muito catita, o Fundão. As pessoas são bonitas e simpáticas. Toda a gente se veste bem, homens e mulheres, são todos muito vaidosos, ninguém sai à rua vestido de qualquer maneira, os homens são assim todos cheios de estilo e as meninas parece que vão sempre para uma festa. Muito giro, o espírito. A vida social gira muito em torno de dois ou três bares, onde toda a gente se encontra, quer ao fim-de-semana, quer durante a semana, ao final da tarde.
Vive-se lá muito bem, gosto daquele espírito. Os dias parecem maiores. Claro que para mim são enormes, porque quando lá estou não faço outra coisa que não seja estar sentada à mesa…
Regressámos ontem à noite. Nós e mais metade da população de Portugal. Estivemos mais de uma hora parados na A1. Que alegria. Sobretudo quando se vem aflitinha para fazer xi-xi. Enfim.
Bom, muito bom o fim-de-semana.
E hoje não me apetecia nada…

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Culpado?

Ouvi outro dia uma notícia que me fez urticária. Não a notícia em si, mas a forma como a deram.
Acho que foi na SIC. Relatava-se o caso de uma gaiata de 11 anos, acho que foi 11 que disseram, que engravidou.
Passou-se em Espanha. Parece que os médicos defendem que uma criança daquela idade não está preparada, nem física nem psicologicamente, para ser mãe, mas os pais da miúda ainda não tinham concordado com o aborto.
Agora o que me chocou foi a jornalista dizer que “o culpado” é um rapaz, mais ou menos da mesma idade.
Sim, a jornalista disse “O CULPADO”. Então e “alegado pai”, não teria sido melhor?!?...

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Reflectindo...

No domingo estive em casa. O dia tinha mais uma hora, e ainda bem, porque tinha levado trabalho para fazer em casa.
Passei a manhã e grande parte da tarde sentada em frente ao computador. Com a janela aberta para a rua, passei o dia a ouvir as vozes e as gargalhadas das crianças que brincavam lá em baixo.
Na minha rua, no meu bairro, ao fim-de-semana, e sobretudo ao domingo, as crianças brincam na rua. Quando faz bom tempo, como foi o caso deste fim-de-semana que passou, ouço-as lá fora e é música para os meus ouvidos.
Gosto de viver num sítio onde as crianças brincam na rua ao domingo.

No sábado, em compensação, passei o dia nos ‘alevantes’. Maior o dia, maior a romaria, como tão bem costuma dizer o meu marido.
Entre outras coisas absolutamente fúteis, estive mais de três horas no cabeleireiro (sim, três horas…).
Preparava-se uma menina para me cortar o cabelo quando comecei a seguinte conversa:
“Da última vez que cá estive perguntei por si e disseram-me que estava em formação…”
“Pois estava. E amanhã vou outra vez. Para Barcelona.”
Confesso que tive dificuldade em dissimular o meu espanto.
Apesar de minha muito questionável vocação, naquele momento, naquele preciso momento, senti-me muito tentada a perguntar “então e se eu quiser ser cabeleireira, o que é que tenho de fazer mesmo?...”.
Barcelona. Formação. Ele há bons empregos, fónix…

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Gay pride

Ontem vi uma coisa que não me lembro de ter alguma vez visto em Cascais.
Estava eu dentro do meu carro, cantarolando, à espera que o semáforo virasse a verde, quando me detive num casal que passava.
Chamou-me logo à atenção, porque me pareceu que seria aquilo que realmente era. Tive de focar bem o olhar, porque ambos os elementos do casal tinham cabelo comprido. Não muito comprido, mas comprido.
Constatei, de facto, que se tratava de dois rapazes que andavam pelo passeio de mãos dadas.
Isto, já de si, é um fenómeno. É como digo, não me lembro de alguma vez ter visto, em Cascais, um casal de pessoas do mesmo sexo passeando de mão dada.
Logo de seguida percebi que um dos rapazes foi meu colega de escola. Nunca andámos na mesma turma, mas na mesma escola sim. Lembro-me perfeitamente, até porque tem um irmão gémeo.
Na realidade, não sei de qual dos gémeos se trata, nunca tive com nenhum dos dois uma relação tão próxima que me permitisse distingui-los.
Mas recordo-me perfeitamente dele.
Fiquei surpreendida. Mas senti-me, acima de tudo, orgulhosa.
Orgulhosa da minha geração. Orgulhosa de pessoas como este rapaz, terá mais ou menos a mesma idade que eu, que não temem o preconceito nem e a discriminação e assumem, perante o Mundo, o amor por alguém, não se coibindo de manifestar, em público, carinho, de trocar olhares cúmplices e de caminhar, lado a lado no passeio, segurando-se pela mão.
Afinal, não é isto que fazem os apaixonados?...

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Peixe cru, hiamy

O restaurante onde costumamos ir comer sushi disponibiliza, no verso da ementa, um manual de boas práticas.
Nunca tinha reparado.
Estive a lê-lo, com toda a atenção, e fiquei a saber, por exemplo, que o sushi não se come com as mãos.
Entrei imediatamente em pânico porque aquilo que mais gosto de comer no japonês é temaki, que como, naturalmente, à mão.
Sosseguei, depois, porque afinal o temaki é mesmo para comer à mão.
Parece que quase tudo o resto tem de ser comido com pauzinhos e nunca à dentada. É enfiar tudo na boca como se não houvesse amanhã. E com a parte do peixe virada para a língua.
Isto vem lá tudo explicado, detalhadamente.
Sou, depois disto, uma pessoa muito melhor preparada para a vida, em geral, e para o sushi, em particular.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Andar na rua

Escrever é uma das melhores partes de se ser jornalista.
As pessoas que se conhecem, os conhecimentos que se adquirem, as experiências que é possível viver, são outros dos aliciantes da profissão.
Mas o melhor mesmo, aquilo que é tão peculiar e tão característico das lides, é esse acto a que tão dignamente chamamos “andar na rua”.
“Andar na rua” é o melhor de tudo.
“Andar na rua”, a correr atrás da estória ou a deixar que a estória nos persiga, equivale a ter pouco tempo para escrever.
“Andar na rua” é forçoso, quando se quer fazer alguma coisa que preste, em termos de jornalismo.
Mas depois de “andar na rua”, é preciso escrever textos e quando se anda muito na rua, o tempo para escrever textos é menos, logo, o trabalho acumula-se.
É o que me está a acontecer, basicamente.
No meu gravador repousam duas entrevistas feitas esta semana, que tenho obrigatoriamente de voltar a ouvir e transcrever.
No meu bloco de notas descansam os apontamentos relativos a uma inauguração mais uma data de outras pequenas coisas, à espera de serem traduzidos e transformados em textos.
Ainda assim, adoro “andar na rua”.
Porque a profissão tem este dado sublime – os jornalistas convivem muito.
Porque as esperas são, muitas vezes, prolongadas, sair em reportagem equivale a encontrar colegas – aqueles de quem se gosta muito e aqueles de quem não se gosta nada, claro – e a passar sempre algum tempo na conversa, a rir, a contar anedotas, a queixarmo-nos da vida, a fazer amigos e a aprender. Sim, sobretudo a aprender. Ou não…
A verdade é que gosto destas esperas.
Destes preliminares.
Até porque na maior parte das vezes são bem mais estimulantes que o acto em si.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

E agora para algo completamente…

… iztúpido…
Mesmo antes de anunciado que o Al Gore tinha ganho [a meias] o Prémio Nobel da Paz, as minhas atenções já estavam viradas para as alterações climáticas.
Sim, pode dizer-se que sou uma gaja muito à frente.
Na realidade, não sou só eu.
As alterações climáticas andam na boca de toda a gente, mesmo na de quem não faz a mínima ideia de quem é o Al Gore ou sequer do que terá feito para merecer o Prémio Nobel [e um Óscar].
Algo se está a passar neste Planeta, de facto.
Se não neste Planeta, pelo menos em Portugal está, de certeza, a acontecer qualquer coisa de muito estranho com o clima.
Fruto das oscilações bruscas de temperatura entre a manhã e a tarde, fruto deste calor doentio que nos tira toda a qualquer vontade de conhecer a colecção Outono-Inverno 07, fruto das noites quentes que me obrigam a dormir com a janela aberta em Outubro, enfim, fruto de tudo isto, abateu-se sobre mim uma grandessíssima carraspana!
Estou constipada, logo, impossível de aturar!
Está um calor desgraçado e eu vou para casa beber chá de limão com aguardente.
Diz que é tiro e queda.
Que amanhã acordo como nova.
E a ressaca cura-se depois.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Right to be wrong

Estabilizo, agora.
Recupero a calma e a consciência na ressaca de alguns dias (noites) mal dormido(a)s, de alguma (muita) ansiedade, de um nervoso que corroeu por dentro devagarinho até me fazer desabar numa torrente de lágrimas.
Às vezes faz falta.
Apaziguo-me, agora.
Mas às vezes faz falta.
O ‘porquê’ é o que menos interessa, agora. Uma espiral de emoções fortes, de decisões mal ponderadas, de riscos que, afinal, não era absolutamente necessário ter corrido, resultaram numa monstruosa dor de cabeça que me toldou o raciocínio durante todo o dia de segunda-feira.
Mania de que sou infalível.
Não sou.
Chega o dia em que o fracasso tem de ser assumido.
Não seria motivo para tanto, dizem-me, e eu sei.
Mas já experimentaram chorar durante quatro ou cinco horas seguidas?
Faz doer os olhos e os ossos da cara.
Tudo porque tomei uma má decisão. E admiti-lo, olhando-me ao espelho, não foi fácil.
Depois faltava o meu marido. ‘A 2500 quilómetros não posso ajudar-te’, disse-me. Coitado, longe, e eu a dar trabalho. Surpreende-me muitas vezes com as provas de amor que me dá. Voltou a fazê-lo, mesmo longe, com o seu desmedido carinho, com a enorme atenção que me dedica.
Acorreram os ‘bombeiros’ do costume – Mãe, Pai, com letras maiúsculas, tudo aquilo que uns pais devem ser, eles são; mais as Amigas, pacientes, dedicadas, disponíveis, conselheiras, compreensivas.
O erro, não posso apagá-lo. Nem vou esquecer. Mas está remediado.
Serena-se a alma, retoca-se a maquilhagem, levanta-se a cabeça, segue-se em frente.
O meu marido voltou de viagem ontem. Agradeci aos Pais e às Amigas, pela sua infindável paciência. Dormi, ontem, o sono dos justos. Sinto que tudo voltou a encaixar, tudo voltou a entrar nos eixos.
Não fui feita para estas montanhas-russas emocionais, para estes turbilhões sentimentais. Fui feita para as rotinas e para os lugares-comuns.
Mas também tenho direito a errar, once in a while…

“I've got a right to be wrong
My mistakes will make me strong
I'm stepping out into the great unknown
I'm feeling wings though I've never flown
I've got a mind of my own
I'm flesh and blood to the bone
I'm not made of stone
Got a right to be wrong
So just leave me alone

I've got a right to be wrong
I've been held down too long
I've got to break free
So I can finally breathe
I've got a right to be wrong
Got to sing my own song
I might be singing out of key
But it sure feels good to me
Got a right to be wrong
So just leave me alone

You're entitled to your opinion
But it's really my decision
I can't turn back I'm on a mission
If you care don't you dare blur my vision
Let me be all that I can be
Don't smother me with negativity
Whatever's out there waiting for me
I'm going to faced it willingly

I've got a right to be wrong
My mistakes will make me strong
I'm stepping out into the great unknown
I'm feeling wings though I've never flown
I've got a mind of my own
Flesh and blood to the bone
See, I'm not made of stone
I've got a right to be wrong
So just leave me alone

I've got a right to be wrong
I've been held down to long
I've got to break free
So I can finally breathe
I've got a right to be wrong
Got to sing my own song
I might be singing out of key
But it sure feels good to me
I've got a right to be wrong
So just leave me alone”

Joss Stone, ‘Right To Be Wrong’

PS – Ainda agora prometi ao meu amigo APN que faria menção do seu aniversário. E faço. Faço menção e faço-lhe uma enorme vénia [o meu nariz está a tocar nos joelhos neste momento… ainda que isso não seja difícil para ele (o nariz)] por ser, simplesmente, quem é. Parabéns ao amigo. E a nós, todos, por continuarmos a telefonar-nos nos dias de aniversário, after all these years. :)

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Some things never change…

Por ser segunda-feira, dia difícil por definição, remeto-me à lembrança de sexta, que foi um daqueles dias bons do início ao fim.
Porque me consola a alma quando um amigo dá à costa. Mesmo atrasado, mesmo que eu já lhe estivesse a rezar pela pele [e que bem se aplica ao meu amigo católico esta expressão…], e sobretudo porque já me tinha carpido a um outro amigo, já me tinha lamentado, porque o sentia esquivo e frio, de há uns tempos para cá.
“Isso passa, é impressão tua”, disse-me o outro amigo, aquele a quem me queixei.
Não era, tenho a certeza, impressão minha.
Mas passou.
Sexta-feira deu à costa, ainda que para me dizer que tinha estado no concerto dos Police, onde eu também estive, e para constatar que não nos tínhamos encontrado.
Foi um telefonema de aquecer o coração, uma daquelas conversas que é tão bom ter de vez em quando com os amigos de há muitos, muitos anos mas que não vemos há muito, muito tempo.
Para ter a certeza que são os mesmos, e nós também, que afinal as coisas mudam, mas não mudam assim tanto como isso, para nos lembrarmos, para confirmarmos o porquê de termos gostado [e gostarmos ainda] tanto daquela pessoa.
Tudo isto pode aplicar-se, se bem que com pequenas adaptações, ao encontro que tive mais tarde, nesse mesmo dia, com um outro amigo.
Amigo de há menos tempo, é certo, mas que espero o seja para sempre.
Pode haver quem estranhe, que eu seja tão grata, e que me sinta tão feliz?
Não pode, não pode mesmo.
As melhores pessoas do Mundo fazem parte da minha vida.
E por isso eu só posso, mesmo, dar graças!

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

De cada vez que respiras...

25 de Setembro de 2007, Estádio do Jamor, Police ao vivo.
E eu lá.
Muito bonito.
Gostei de tudo, de todas. Mas acho que a que mais me tocou foi esta. Linda, na voz do Sting.

Every Breath You Take

Every breath you take
Every move you make
Every band you break
Every step you take

I'll be watching you

Every single day
Every word you say
Every game you play
Every night you stay

I'll be watching you

Oh, can't you see
You belong to me
How my heart aches with every step you take

Every move you make
Every vow you break
Every smile you fake
Every smile you fake

I'll be watching you

Since you've gone I been lost without a trace
I dream at night, I can only see your face
I look around but it's you I can't replace
I keep crying, baby, please

Every move you make
Every vow you break
Every smile you fake
Every claim you stake

I'll be watching you

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Mudanças...

Fui destituída do meu posto de trabalho. No sentido físico da coisa, mesmo. A sala onde costumo trabalhar vai ser pintada e mais não sei o quê, de maneiras que tanto eu como as minhas colegas fomos deslocadas para outros gabinetes.
Isto é mau por uma série de razões, sendo que a mais importante das quais é o facto de ter sido feito contra a nossa vontade.
E quando uma gaja faz uma coisa a contra gosto, já se sabe, há problemas…
No meu caso pessoal, fui ‘transferida’ para uma das salas do mesmo edifício onde trabalham colegas de outro departamento, aos quais digo ‘bom dia’ e boa tarde’ todos os dias e pouco mais.
Estou a utilizar um computador de outra pessoa, não tenho acesso a nenhum dos meus documentos ou pastas pessoais, consigo aceder ao meu e-mail e pouco mais.
Toda a minha papelada descansa aqui ao meu lado, dentro de duas caixas, giríssimas, diga-se, que providencialmente comprei ontem no Ikea.
Em cima da secretária tenho: uma pen, os meus óculos de sol, o telemóvel e pastilhas elásticas. Tudo o resto não me pertence.
A minha planta [a que me acompanha desde que vim para cá trabalhar] também está aqui ao lado, muito bem posicionada, por sinal, junto à janela, com vista para a frente do edifício.
O gabinete é agradável, os colegas [que não estão na mesma sala, mas numa sala anexa – vejo-os porque a porta que nos separa está aberta] são muito hospitaleiros, disseram-me que podia abrir ou fechar as janelas [são duas, o que até é muito bom] e imploraram-me para que me sentisse à vontade.
Na realidade, as primeiras horas foram penosas mas agora até me estou a sentir bem…
Se calhar amanhã trago uns CD’s para ouvir aqui… É que não há sequer um rádio e faz falta uma musiquinha… Pois é, vendo bem as coisas isto é muito agradável… afinal não se está aqui tão mal como isso…

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Sobre mim (para variar...)

Shame on me, há mais de 15 dias que não actualizo o meu blog… Cristo, nem me conheço, tão desleixadinha… A culpa é dos papéis que se amontoam em cima da minha secretária, do telefone que não pára, dos e-mails e das colegas que vão de férias, de baixa e para outros destinos deixando-me a mim, ‘tadinha, com o peso do mundo nos ombros.
Sim, eu sofro muito, sim, eu sou o verdadeiro Calimero.
Entretanto aconteceu tanta coisa e eu tinha, como sempre, tanto para dizer acerca de todos os assuntos mas, infelizmente, não tive tempo de despejar aqui as minhas opiniões, e Deus sabe que tenho muitas.
Sabe Deus e sabe o meu marido porque se é verdade que não tenho tido muito tempo, ainda tenho conseguido ir jantar a casa (às vezes, na realidade) e quando isso acontece é ele que me ouve, porque eu tenho, acreditem, sempre muito para dizer.
Na realidade, comentava outro dia com uns amigos que jantaram lá em casa [sim, apesar de tudo tenho tempo para ser uma anfitriã acima de qualquer suspeita] que o meu marido já desistiu de me perguntar como correu o meu dia.
A coisa acontece da seguinte forma: sentamo-nos para jantar e eu pergunto “como é que correu o teu dia”, ao que o meu marido invariavelmente responde “correu bem”. Excepção feita a dias mesmo muito maus, ou mesmo muito bons, a resposta do meu marido é esta, “correu bem”.
Ora, houve tempos em que ele perguntava “e o teu?”. Houve tempos. Desistiu. Porque se ele pergunta, eu falo durante duas horas, ininterruptamente, porque todos os meus dias são, graças a Deus, muito preenchidos. Se ele não pergunta, eu própria me adianto, dizendo qualquer coisa do género “bem, eu sei que não estás muito interessado, mas a mim hoje aconteceu-me uma que nem vais acreditar, blá, blá, blá, blá…”.
No fundo, é fácil lidar comigo. Ouçam-me. Não me contrariem. Não me ignorem. Não me interrompam. Suportem a minha música. Observem-me enquanto danço pela casa. Elogiem a minha comida. E todos os meus outros incontáveis dotes. Façam-no e têm uma amiga para a vida. :-)

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Só para dizer...

... que estou extraordinariamente contra o facto de segunda-feira já ser Setembro porque isso significa que vou começar a apanhar 'bué' trânsito para chegar ao trabalho. Por causa disso, o mais provável é que tenha que começar a sair de casa mais cedo, logo, a levantar-me mais cedo ou, em alternativa, a não ter tempo para tomar o pequeno-almoço em casa, descansadinha da vida.
Podemos ficar em Agosto durante mais umas semaninhas, podemos?
Era bom.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Activismo?

Estive pouco atenta aos noticiários durante as férias.
Fui comprando o ‘Expresso’, que me divertiu, sobretudo, graças às notícias que deram conta da passagem de Marques Mendes pela Madeira de Alberto João Jardim.
Surreal, o relato do episódio em que, no momento em que deixou de avistar Marques Mendes, Jardim se referiu a ele como um ‘sacana’ tão ‘pequenino’ que ‘nem se vê’.
Lindo.
Mas foram as imagens do que aconteceu em Silves no campo de milho transgénico que me chocaram mesmo.
Independentemente das motivações dos ‘activistas’, a praxis da coisa resultou, na minha opinião, muito mal, fazendo com que, aos olhos da generalidade de opinião pública, tivessem, pura e simplesmente, perdido a razão, sendo que saber se a detinham antes é, de si, discutível.
Os argumentos em detrimento da transgenia podem ser até muito válidos, mas aquele grupo de pessoas tornou-se, do meu ponto de vista, num grupo de arruaceiros, sem qualquer respeito pelas leis de um Estado de Direito como Portugal (ainda é, suponho), pela propriedade privada e pelas liberdades individuais.
Isto dito assim já é mau.
Mas as imagens, as imagens é que me fizeram arrepiar, verdadeiramente.
Ver a nossa casa ser invadida por estranhos já será mau, mas vê-los a destruir, de forma primária, como se fossem macacos presos na cadeia da evolução, aquilo que nos pertence, simplesmente porque acham que essa atitude vai, de alguma forma, chamar a atenção para uma causa que defendem, alguns, tenho a certeza absoluta disso, sem sequer saberem muito bem porquê, será certamente horrível.
O Mário Crespo, notoriamente indignado com o que se passou, conduziu de forma brilhante (como é aliás seu apanágio) entrevistas às quais tive oportunidade de assistir, no Jornal das 9, e a este propósito, ao ministro da Agricultura, ao Francisco Louçã e também ao senhor que se identifica como porta-voz do movimento Verde Eufémia.
Porta-voz político, atenção, porque ele não sujou as mãos nas maçarocas.
Diga-se de passagem que o rapaz deve ter saído do estúdio onde decorreu a entrevista a rastejar, porque o Mário Crespo não lhe deu a mínima hipótese. Foi o que se chama um ‘baile’, do início ao fim da entrevista.
O jovem, que lá deve ter as suas aspirações políticas, não estava, certamente, preparado para um ‘mano-a-mano’ com um portento como é o Mário Crespo.
Podia jurar que o ouvi a sair de cena a ganir e com o rabinho entre as pernas.
Contradisse-se de tal forma que a páginas tantas quase senti pena dele.
Mas recompus-me depressa.
Depois do que aconteceu em Silves, falei a respeito com os meus Pais e pedi-lhes que me explicassem, como se eu fosse muito burra, o que pode levar um agricultor a optar pelo cultivo de transgénicos.
Explicaram-me que a principal característica dos transgénicos é serem muitíssimo mais resistentes a pragas e que isso não é de todo novidade, parece que há muitos e muitos anos processos semelhantes são postos em prática nas videiras.
Foram os meus Pais que me explicaram e eu fiquei esclarecida.
Nesta matéria, como em tantas outras, parece que não existem certezas absolutas. Vantagens e inconvenientes do cultivo de transgénicos equilibram-se, ao que parece, nos pratos da balança.
Mas adiante. Não vou entrar por aí. Não quero conceder àquele grupo de pessoas o mérito de terem trazido a debate público a questão da transgenia.
Não quero fazer parte de uma sociedade em que valha a máxima ‘os fins justificam os meios’.
Nem de uma geração que procura fazer valer a razão dos seus argumentos de forma selvagem e violenta.
Nem de uma esquerda que patrocina actos ilegais sob a capa de um alegado simbolismo.
Se a ideia era ter lá as estações de televisão, tivessem ido nus plantar-se no meio de um campo de milho transgénico.
Rabos de activista ao léu. Camera loves it.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Memories...


Pensavas que ias regressar ao trabalho e que ia ser tudo muito cool, tudo muito devagarinho, uma semaninha de habituação, para desentorpecer o cérebro, e tal… pensavas, não pensavas?
Pois parece que te enganaste, amiga…
Primeira semana pós-férias e já estou desejosa que chegue o fim-de-semana…
Atoladinha em tarefas mesmo urgentes e em pedidos de gente que – vá-se lá saber porquê – não parece disposta a esperar muito, resta a recordação… a lembrança, por exemplo, do ESPECTACULAR livro do Mário Vargas Llosa (mais um) que li durante as férias (Os Cadernos de Dom Rigoberto), dos incontáveis almoços e jantares na praia, quase, quase, com os pezinhos dentro de água, dos milhares de mergulhos, da música dos Orishas como banda sonora, ou até deste dia, em que choveu na praia dos Três Castelos e que, apesar disso, não deixou de ser perfeito….

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Meio gás

De regresso à vida real (hoje), é natural que esteja ainda a meio gás…
Estava longe de um computador ligado à Internet no dia 9 de Agosto mas lembrei-me, e não posso deixar de assinalar, que o meu blog já leva um ano inteiro de existência!
Parabéns para mim, portanto.
Volto para contar acerca das maravilhosas e retemperadoras férias assim que acabar de bocejar… ai que preguiça…

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Vacaciones :-)


Chamem-me fútil, que eu aguento.
Descobri um protector solar que promete ‘queimar’ a celulite, ao mesmo tempo que me protege dos escaldões.
Isto é lindo!
Já comprei.
Está a um passinho de saltar para dentro da minha mala de férias.
Lá dentro, vai fazer companhia aos 382 cremes e produtos de beleza que me acompanham para onde quer que vá [já escrevi aqui uma vez que isto é um sinal claríssimo de que estou a ficar velha…], aos biquinis, que também comprei este ano, aos vestidos, aos calções, às sandálias, às havaianas, aos tops, às saias e às calças de ganga.
Já fui arranjar as mãos e os pés também.
Falta-me comprar leitura para as férias. Um levezinho, tipo Margarida Rebelo Pinto [e não o digo em tom depreciativo, atenção!] e um outro mais denso, tipo Lobo Antunes, para ver quantos dias duram.
Tenho de aproveitar as férias para me dedicar aos livros, sinto-lhes a falta. Ler de empreitada é uma coisa típica de férias. A praia é óptima para se ficar a ver quem passa, sem pensar em absolutamente nada, mas isso só é pouco.
Outra coisa que faz parte da minha lista de compras são umas cadeiras de praia, daquelas baixinhas em lona. Muito mais confortável que ler deitada, não há posição que se aguente.
Posto isto, acho que só fica mesmo a faltar-me o novo CD dos Orishas, que vai ser a banda sonora da viagem de carro até ao Algarve.
Vou mesmo de férias. Volto muito bronzeada e muito relaxada, se Deus quiser.
Esta ‘cheira’ a Verão… boa para dar ao pezinho na praia… A minha parte favorita está a bold… :-)

«There's a place I've never been
A place I long to be
Will I reach? I just don't know
Still I hope one day I'll go, hey

My wish just never seems to come, yeah
I know for certain you're the one, yeah
So close I get, still no cigar
Carrying my wounded heart, yeah

I can't stop the river from running, I can't, I can't
I can't stop the rain from falling down on me, oh no no
I know I'm not what you want
I'm hoping in time you'll see how
My soul pleads for you

Not every time you meet someone and
You both just click in a minute
Baby it's the eye contact, smile like that
Click click and you're rolling
Can't stop calling you, I don't know what to do
Baby you're making me break down all of my rules, yeah


I can't stop the river from running, (I can't stop the river from running)
I can't stop the rain from falling down on me, oh no no
I know I'm not what you want
I'm hoping in time you'll see how
My soul pleads for you, (yeah, yeah, yeah)

Now I can believe you've put a spell on me
Oh it's the way it seems, I can't keep you out my dreams
Oh I get chills baby, when I can't talk to you
I'm in pain and I hope you feel the way I do

I can't stop the river from running, (I can't stop the river from running)
I can't stop the rain from falling down on me, oh no no
I know I'm not what you want
I'm hoping in time you'll see how
My soul pleads for you, (yeah, yeah, yeah)

I know for certain you're the one baby
So close, and no cigar
I carry this, my wounded heart
So close but yet so far»

“My soul pleads for you”, Simon Webbe

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Já não sou quem era

Duas coisas:
1) A deixa “vai ter comigo ao camarim, tenho um jacuzzi só para mim” é a minha preferida de todas as músicas deste Verão. Como se costuma dizer, dá-me graça, o que hei-de eu fazer. É parvo? Sim, é parvo, mas não consigo evitar sorrir sempre que a ouço, dita pelo Boss AC, na música em que faz parelha com o Akon.
É que além de ser uma belíssima deixa de engate, passível de ser utilizada por qualquer artista (ou não…), é dita num tom imperativo, não como um convite, mas como uma ordem. Isto dá-me graça.
Depois, pode ser facilmente adaptada. Tipo “vai ter comigo a minha casa, tenho um jacuzzi que é uma brasa”. Parvo?... Então e “vai ter comigo ao meu lar, tenho um jacuzzi de encantar”… Muito parvo?... “vai ter comigo ao meu apartamento, tenho um jacuzzi que é um tormento”… Também não?...
2) Permito-me dizer todas estas idiotices porque estou mesmo esgotada e a precisar de descanso. É compreensível, quando faltam poucos dias para as férias.
Por outro lado, tenho andado melancólica e ansiosa, ao ponto de ontem me ter ocorrido [isto para que se perceba o quanto eu merecia ser internada num hospício] que às vezes me revejo toda nas palavras do genial Variações…

«Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão

Vou continuar a procurar a quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só

Quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi

Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar

Vou continuar a procurar o meu mundo, o meu lugar
Porque até aqui eu só

Estou bem
Aonde não estou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou»

terça-feira, 24 de julho de 2007

Pré-férias

Quando o muito trabalho que antecede as férias o permite, esta tem sido a eleita dos meus dias (e das minhas noites) para dar ao pézinho.
"Last Night", Diddy feat. Keyshia Cole. É muito boa onda. :-)

[Diddy:]
Last night,
I couldn't even get an answer.
Tried to call,
But my pride wouldn't let me dial.
And I'm sitting here,
With this blank expression.
And the way I feel,
I wanna curl up like a child.

I know you can hear me
I know you can feel me
I can't live without you
God please make me better
I wish I wasn't the way I am

[Keyshia:]
If I told you once, I told you twice,
You can see it in my eyes.
I'm all cried out,
With nothing to say.
You're everything I wanted to be.
If you could only see,
Your heart belongs to me.
I love you so much, I'm yearning for your touch.
Come and set me free,
Forever yours I'll be,
Baby won't you come and take this pain awayyyyy.

[Diddy:]
Last night,
I couldn't even get an answer.
Tried to call,
But my pride wouldn't let me dial.
And I'm sitting here,
With this blank expression.
And the way I feel,
I wanna curl up like a child.

[Keyshia:]
I need you,
And you need me.
This is so plain to see,
And I will never let you go and,
I will always love you so.
I will...
If you could only see,
Your heart belongs to me.
I love you so much, I'm yearning for your touch.
Come and set me free,
Forever yours I'll be,
Baby won't you come and take this pain awayyyyy.

[Diddy:]
Last night,
I couldn't even get an answer.
Tried to call,
But my pride wouldn't let me dial.
And I'm sitting here,
With this blank expression.
And the way I feel,
I wanna curl up like a child.

[Diddy:]
Tell me the words to say,
To make you come back,
And work me like that.
And if it matters I'll rather stay home,
With you I'm never alone.
Don't want to wait till you're gone,
Let me be, just don't leave me.

[Diddy:]
Last night,
I couldn't even get an answer.
Tried to call,
But my pride wouldn't let me dial.
And I'm sitting here,
With this blank expression.
And the way I feel,
I wanna curl up like a child.

[Keyshia:]
I need you,
And you need me.
This is so plain to see,
And I will never let you go and,
I will always love you so.
I will...
If you could only see,
Your heart belongs to me.
I love you so much, I'm yearning for your touch.
Come and set me free,
Forever yours I'll be,
Baby won't you come and take my pain awayyyyy.

[Diddy:]
Last night,
I couldn't even get an answer.
Tried to call,
But my pride wouldn't let me dial.
And I'm sitting here,
With this blank expression.
And the way I feel,
I wanna curl up like a child.

[Keyshia:]
I'm so alone I'm soooo lonelyyyyy,

Why don't you pick the phone,
And dial up my number,
And call me a baby,
I'm waiting on you.

Why don't you pick the phone,
And dial up my number,
Just call me a baby,
I'm waiting on you.

[Phone dialing and ringing]
[Diddy:]
Hello
Hey waz-up
I've been tryin' to reach you all night
That shit ain't funny not picking up the mutha fucking phone
Better stop fucking playing with a nigga's feelings like that
You know how much I love you though right?
But for them couple of seconds though,
When I couldn't get in touch with you.
I'm ready to come over your house and shoot that mutha fucker up
You better fucking not be there when I get over that house
[laughing]
That's really how it goes down right?

terça-feira, 17 de julho de 2007

31, mas ninguém diria...


Hoje impõem-se os parabéns. À minha amiga i., que faz anos, e ao seu mais-que-tudo. o p., pelo espectacular almoço que confeccionou para um grupo de quatro loucas (mais a i.) e exigentes gourmets.
Uma salva de palmas. Para os dois.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

A melhor


Numa segunda-feira cinzenta e chuvosa, nada melhor que recordar um sábado fabuloso, sem ponta de vento, na melhor praia do Mundo [por ser aqui tão perto, porque se chega lá num instantinho, porque é bonita, mesmo, porque a areia está limpinha e a água é azul como em nenhuma outra]. Cresmina. Guincho. Que bem que se esteve…

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Cansada, mas com estilo...

Estou, basicamente e dito de forma simples, ATOLADA em trabalho.
End of story.
Mas tenho um bronze de fazer inveja.
É que tenho tido muito “serviço externo”. ;)
Muito trabalho. Mesmo.
À noite, em casa, tenho procurado abstrair-me, coisa que só consigo fazer passadas para aí duas horas depois de meter a chave à porta, porque esse é o tempo que demoram a baixar os meus níveis de adrenalina.
Quando isso acontece, refastelo-me a ver a novela.
E o que de melhor podia acontecer na minha telenovela favorita do que, finalmente, e depois de para aí cinco ou seis anos (anos ficcionais, claro) de se terem conhecido [e apaixonado], e depois de eu ter andado para aí um milhão de episódios a torcer para que se ‘enrolassem’, a ‘Isabel’ e o ‘Renato’ terem consumado o amor que os une.
Eu, pessoalmente, bati palmas.
O meu marido, um dia destes, interna-me.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Não é que eu pretenda…

… ser uma maria vai com as outras, mas, de facto, há qualquer coisa no novo Estatuto do Jornalista que cheira a esturro.
A mim, pelo menos, ainda não conseguiram convencer-me das virtudes do documento.
Mais em movimentoinformacaoliberdade.blogspot.com.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

The wind is calling


Cascais acolhe, por estes dias, o Campeonato do Mundo de Vela Olímpica.
O evento contribuiu para trazer muita gente e, sobretudo, muita animação à minha terra.
Já tinha dado conta do movimento fora do comum, tanto em terra como no mar. No fim-de-semana passado a baía estava repleta de velas brancas, um cenário muito, muito bonito.
Mas o que me impressionou mesmo, e me encheu de orgulho, foi o que me aconteceu ontem ao final do dia.
Depois do trabalho, passei pelo Jumbo, para me abastecer de jantar. Fiquei estarrecida com a quantidade de gente de todas as nacionalidades e etnias que se passeava pelos corredores do supermercado.
Reconhecem-se, facilmente, pelo tom de pele dourado que exibem [inveja!], pela compleição física [mais um bocadinho de inveja…] e, mais óbvio ainda, pelas t-shirts alusivas ao campeonato.
Muito giro, o ambiente em torno de uma prova desta dimensão, que me fez sentir muito orgulho de ser cascalense [não de nascimento, porque sou oeirense, com muito gosto, mas de adopção] e que me fez apaixonar um bocadinho mais pela terra lindíssima onde tenho a sorte de viver!

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Lindos!


Agora vou para casa dar guinchos em frente à televisão, OK?
[não formam o casal mais fixe de sempre? formam, não formam?]
O que é, alguma coisa contra telenovelas!?! LOL

Ele há amizades do caraças!

Este é dedicado à minha amiga i., pela música de ontem, que era mesmo a que me apetecia ouvir naquele momento.
Obrigada, amiga, pelas “Tatuagens” de Mafalda Veiga em dueto com o Jorge Palma [génio!], e sobretudo obrigada por seres quem és, por me aturares, por estares sempre por perto, por teres estado sempre, por seres a guardadora dos meus segredos e por me confiares os teus. Encontramo-nos ao pequeno-almoço. ;)

«Em cada gesto perdido
Tu és igual a mim
Em cada ferida que sara
Escondida do mundo
Eu sou igual a ti

Fazes pinturas de guerra
Que eu não sei apagar
Pintas o sol da cor da terra
E a lua da cor do mar

Em cada grito da alma
Eu sou igual a ti
De cada vez que um olhar
Te alucina e te prende
Tu és igual a mim

Fazes pinturas de sonhos
Pintas o sol na minha mão
E és mistura de vento e lama
Entre os luares perdidos no chão

Em cada noite sem rumo
Tu és igual a mim
De cada vez que procuro
Preciso um abrigo
Eu sou igual a ti

Faço pinturas de guerra
Que eu não sei apagar
E pinto a lua da cor da terra
E o sol da cor do mar

Em cada grito afundado
Eu sou igual a ti
De cada vez que a tremura
Desata o desejo
Tu és igual a mim

Faço pinturas de sonhos
E pinto a lua na tua mão
Misturo o vento e a lama
Piso os luares perdidos no chão»

terça-feira, 3 de julho de 2007

Eu, a Dra. Phil...

Acerca da complexidade dos relacionamentos. Falava-se.
Nem sempre é fácil, esta coisa de compartilhar a vida com outra pessoa. ‘A vida’, entendida na sua globalidade, e partilhá-la com alguém, com tudo o que isso acarreta.
Nada a este nível é passível de simplificação.
Poucos são os que ficam sozinhos. Mesmo os que já passaram pela experiência – e tiveram uma má experiência – voltam, em geral, a procurar os pés de outra pessoa no fundo da cama.
É assim que funciona. Porque nos faz falta a companhia, porque precisamos de ser amados, porque precisamos de amar, porque queremos tratar de alguém ou queremos alguém que trate de nós… podia continuar, por aqui fora, enunciando os motivos que nos levam a tomar a decisão.
Tomamo-la. E depois? Bem, depois…
Depois vem tudo o resto.
Eu posso falar de cátedra, pelo pouco tempo que passei ‘sozinha’. Deve ser uma espécie de síndroma do filho único. Detestei, como bem se sabe, ser filha única. Mas fui. Sou. Tendencialmente egoísta (?).
Dizia que passei pouco tempo ‘sozinha’, no sentido em que dei pouco tempo de intervalo entre uma relação e outra.
Terminada uma, pensava ‘agora, vou viver a minha solteirice à grande e à francesa’.
Qual quê!
Quando dava por ela já tinha um amigo especial a rondar-me a porta. E assim começavam mais quatro anos de namoro.
Se calhar tinha-me feito falta ter menos namoro. Ser mais biscateira. Mas nunca me deu para isso. As relações corriam-me bem. Correram-me sempre bem. Talvez por ser fácil conviver comigo. Não posso armar-me em falsa modesta. Tenho tendência para o longo prazo, já o escrevi aqui. As pessoas que entram na minha vida permanecem. E, bolas, devo ter algum mérito nisso, ou não?...
A questão, que talvez algumas pessoas ainda não tenham entendido, é que os relacionamentos que envolvem afecto entre pessoas requerem entrega, na mesma medida em que requerem disponibilidade para receber.
A minha [regra geral] boa disposição ajuda, mas também tenho os meus maus dias.
Tentei, há uns tempos, dar uns conselhos a um amigo prestes a casar. Certamente ignorou-os. Eu desculpo-o. ;)
Regra número 1: espaço. Na minha perspectiva, o sucesso da vida em comum depende, em grande medida, do respeito pelo espaço de cada um. Espaço físico e não só.
Espaço, em todas as esferas da vida de um casal.
Espaço para o que é nosso. Espaço para os nossos pensamentos. Espaço para a nossa família. Espaço para os nossos amigos. Espaço partilhado pelos dois. Espaço para o nosso trabalho. Espaço para os nossos hobbies. Espaço para as nossas fantasias. Espaço na cama. Disso não abdico, OK? Preciso de dormir bem para viver bem e a minha metade da cama é só minha, pelo menos enquanto eu lá estiver! :)
As tarefas domésticas fazem parte do meu espaço. Chamem-me antiquada, que eu aguento. Costumava dizer que não queria ter um marido que agisse como o meu querido Pai em relação à lida doméstica.
Agir como o meu Pai significa NÃO AGIR.
Mas o que é certo é que impus quase automaticamente as tarefas domésticas como sendo o meu espaço. Porque me dá prazer. Lamento, mas é assim mesmo.
O meu marido não faz o jantar e não arruma a cozinha. O meu marido não põe a roupa a lavar, não a estende e não a passa a ferro. O meu marido não aspira e não limpa a casa de banho. Porque eu não quero, OK? [feministas, mandem abater-me!]
O meu marido faz a cama, quando tem tempo, algo que eu agradeço, e faz café, depois do jantar, todas as noites. Mas se de repente ele começasse a substituir-me em todas as tarefas domésticas sei, tenho a certeza, que começaria a sentir-me inútil, dispensável.
Afinal, para ser a mulher da casa estou lá eu, ou não?
Esta é só uma pequenina parte da história.
Ligar a aparelhagem no máximo e dançar até me doerem as pernas também faz parte do meu espaço. Vibrar com os romances das telenovelas da SIC, gritar e bater palmas quando o ‘Renato’ e a ‘Isabel’ [personagens de ‘Páginas da Vida’, OK?], se beijam, faz parte do meu espaço.
Comprar mil e uma merdas absolutamente desnecessárias para decorar a casa, encher a varanda de vasos com sardinheiras, trancar-me na casa de banho durante duas horas enquanto faço a depilação e me besunto de máscaras e cremes, sair com a minha Mãe e com as minhas amigas e voltar a casa carregada de sacos de compras, fazer serão no trabalho porque gosto mesmo daquilo que faço, ter a roupa metodicamente organizada no guarda-vestidos e nas gavetas, falar sozinha, rezar à noite, antes de dormir, programar o despertador para tocar 15 minutos antes da hora a que realmente preciso de me levantar, chorar quando me apetece, tudo, tudo, tudo isto faz parte do MEU espaço.
Se é fácil, aturar-me?
Suponho que sim. Porque o meu sorriso também preenche muito espaço. E sou especialista em obter sorrisos de volta.

Smile, you're being videotaped... (parte II)

Dediquei, há uns dias, um post ao ‘sorriso’, que é um tema que me interessa muito. Nem de propósito, a grande reportagem da SIC de domingo passado, intitulada “Sorriso de Moebius”, abordava o tema na perspectiva de uma doença rara denominada síndroma de Moebius.
Trata-se de uma enfermidade que afecta os músculos faciais e que, na prática, faz com que os que dela padecem sejam incapazes de esboçar um sorriso.
Impressionou-me de tal forma que fiquei colada à televisão do início ao fim da reportagem, com os olhos marejados de lágrimas.
Não foram lágrimas de pena, não, nada disso.
O que se apoderou de mim foi um sentimento de gratidão tão grande, mas tão grande, mas tão grande… Gratidão pela capacidade de sorrir que, felizmente, temos e que, tal como pretendi expressar no post de há dias atrás, por vezes nos esquecemos de utilizar.
Um dos entrevistados, um jovem espanhol afectado pelo referido síndroma, falava sobre a incapacidade de sorrir de uma forma que fez com que se me arrepiassem os pelinhos dos braços.
Dizia, ele, que num Mundo em que a grande maioria dos sorrisos que vemos são falsos, o mais importante não é sorrir por fora, é sorrir por dentro.
Sábias, as palavras de quem não pode sorrir.
Não porque não tenha motivos para o fazer.
Simplesmente porque não pode. Não é capaz.
Nós, que somos, estamos à espera de quê para sorrir mais?...
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